“ESTÃO TENTANDO REGISTRAR SUA MARCA E VOCÊ TEM 24 HORAS PRA AGIR!
O GOLPE DA MARCA REGISTRADA!
Imagine a cena: o telefone toca e, do outro lado da linha, alguém com tom de voz firme e falando em juridiquês se identifica como funcionário do INPI. A pessoa traz uma “bomba”: Tem outra empresa está tentando registrar o nome do seu negócio neste exato momento. O suposto agente do INPI afirma que, por lei ou prioridade de uso, você tem a preferência, mas que precisa agir imediatamente. É assim que começa um dos golpes mais comuns e prejudiciais do mercado atual, mirando o suor de quem construiu um negócio do zero e usando o medo como principal ferramenta de venda.
A armadilha do prazo: A FALSA URGÊNCIA DAS 24 HORAS PRA AGIR!
O principal gatilho utilizado por esses escritórios mal-intencionados é o senso de urgência extrema: eles afirmam categoricamente que você tem apenas 24 horas para tomar uma decisão e pagar as taxas, ou a outra pessoa passará na sua frente e “roubará” a sua marca. Essa tática de sufocamento é desenhada sob medida para não dar tempo de você pensar, respirar ou consultar um especialista de confiança. Sob a ameaça de ver a identidade da sua empresa perdida de um dia para o outro, o empresário é empurrado a fechar um contrato baseado em uma urgência puramente fabricada.
Uma narrativa sem lógica: Veja como é simples saber se a ligação é fraudulenta e que não se trata de um escritório agindo de boa fé
Se você parar para analisar friamente, essa história não faz o menor sentido jurídico ou lógico. Pense bem: se um concorrente real estivesse de fato tentando registrar a sua marca no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), por que ele esperaria pacientemente que uma empresa de registro ligasse para você, desse uma preferência e aguardasse a sua decisão? O sistema de marcas não funciona como uma fila onde alguém guarda o seu lugar. Se um terceiro quisesse dar entrada no pedido, ele simplesmente daria, sem avisos prévios ou “prazos de tolerância” milagrosos.
O poder da intimidação e do gatilho emocional
Infelizmente, mesmo sendo um argumento completamente absurdo, muitas pessoas honestas ainda caem nessa armadilha. Os golpistas utilizam uma linguagem técnica, intimidadora e agressiva, focando diretamente na dor do empresário de perder tudo o que construiu. Eles trabalham puramente com a emoção e com a coerção psicológica. Ao invés de uma consultoria idônea e explicativa, o que ocorre é uma pressão que deixa a vítima assustada e vulnerável, fazendo com que a razão dê lugar ao desespero do momento.
O prejuízo real de agir pelo impulso do medo
O resultado desse pânico induzido é quase sempre o mesmo: o empresário, acuado, acaba fechando o serviço e realizando pagamentos altos. Tudo isso é feito sem uma busca prévia sobre a reputação daquele escritório, sem checar se a suposta “outra empresa” realmente existe e, pior, sem saber se a sua própria marca realmente está disponível para registro. No fim das contas, paga-se caro por um serviço contratado no escuro, muitas vezes para empresas que nem sequer dão andamento correto ao processo no INPI e um empresário que sequer entendeu pra que e por que está registrando uma marca.
Como se proteger e agir com segurança
Para não se tornar mais uma estatística desse golpe, a regra de ouro é: nunca feche nada sob pressão e desligue o telefone. O INPI não faz ligações desse tipo e nenhuma empresa séria de propriedade intelectual utiliza a extorsão emocional como método de venda. Caso receba uma abordagem parecida, mantenha a calma, não forneça seus dados e procure por conta própria um escritório credenciado, transparente e com boas avaliações para fazer uma consulta real, técnica e segura sobre a situação da sua marca.
A regra do jogo no Brasil: facultativo, mas só é dono quem registra
Para entender por que as pessoas caem nessa conversa, é preciso conhecer a lei. No Brasil, o registro de uma marca é facultativo, ou seja, você pode abrir e operar sua empresa livremente sem ele. No entanto, existe uma regra de ouro: só é dono da marca quem a registra primeiro no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Os golpistas sabem que a maioria dos empresários usa a marca informalmente sem ter o registro e se aproveitam justamente dessa brecha legal e do desconhecimento para plantar a semente da dúvida e do medo.



