O TELEFONEMA QUE ASSUSTA OS EMPRESÁRIOS!

Imagine a cena: o telefone toca e, do outro lado da linha, alguém com tom de voz firme e falando em juridiquês se identifica como funcionário do INPI. A pessoa traz uma “bomba”: Tem outra empresa está tentando registrar o nome do seu negócio neste exato momento. O suposto agente do INPI afirma que, por lei ou prioridade de uso, você tem a preferência, mas que precisa agir imediatamente. É assim que começa um dos golpes mais comuns e prejudiciais do mercado atual, mirando o suor de quem construiu um negócio do zero e usando o medo como principal ferramenta de venda.

Uma narrativa sem lógica: Veja como é simples saber se a ligação é fraudulenta e que não se trata de um escritório agindo de boa fé

Se você parar para analisar friamente, essa história não faz o menor sentido jurídico ou lógico. Pense bem: se um concorrente real estivesse de fato tentando registrar a sua marca no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), por que ele esperaria pacientemente que uma empresa de registro ligasse para você, desse uma preferência e aguardasse a sua decisão? O sistema de marcas não funciona como uma fila onde alguém guarda o seu lugar. Se um terceiro quisesse dar entrada no pedido, ele simplesmente daria, sem avisos prévios ou “prazos de tolerância” milagrosos.

Infelizmente, mesmo sendo um argumento completamente absurdo, muitas pessoas honestas ainda caem nessa armadilha. Os golpistas utilizam uma linguagem técnica, intimidadora e agressiva, focando diretamente na dor do empresário de perder tudo o que construiu. Eles trabalham puramente com a emoção e com a coerção psicológica. Ao invés de uma consultoria idônea e explicativa, o que ocorre é uma pressão que deixa a vítima assustada e vulnerável, fazendo com que a razão dê lugar ao desespero do momento.

O resultado desse pânico induzido é quase sempre o mesmo: o empresário, acuado, acaba fechando o serviço e realizando pagamentos altos. Tudo isso é feito sem uma busca prévia sobre a reputação daquele escritório, sem checar se a suposta “outra empresa” realmente existe e, pior, sem saber se a sua própria marca realmente está disponível para registro. No fim das contas, paga-se caro por um serviço contratado no escuro, muitas vezes para empresas que nem sequer dão andamento correto ao processo no INPI e um empresário que sequer entendeu pra que e por que está registrando uma marca.

Para não se tornar mais uma estatística desse golpe, a regra de ouro é: nunca feche nada sob pressão e desligue o telefone. O INPI não faz ligações desse tipo e nenhuma empresa séria de propriedade intelectual utiliza a extorsão emocional como método de venda. Caso receba uma abordagem parecida, mantenha a calma, não forneça seus dados e procure por conta própria um escritório credenciado, transparente e com boas avaliações para fazer uma consulta real, técnica e segura sobre a situação da sua marca.

Para entender por que as pessoas caem nessa conversa, é preciso conhecer a lei. No Brasil, o registro de uma marca é facultativo, ou seja, você pode abrir e operar sua empresa livremente sem ele. No entanto, existe uma regra de ouro: só é dono da marca quem a registra primeiro no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Os golpistas sabem que a maioria dos empresários usa a marca informalmente sem ter o registro e se aproveitam justamente dessa brecha legal e do desconhecimento para plantar a semente da dúvida e do medo.